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Professor Doutor José Ávila Martins

Categoria: Cultura
Publicado em quarta, 28 abril 2021, 16:49
Atualizado em terça, 27 abril 2021, 19:49

José Ávila MartinsJosé Ávila Martins, geólogo e universitário (1917-1996) nasceu no dia 5 de agosto de 1917, na freguesia de São João, Concelho das Lajes do Pico.

O Professor José Ávila Martins foi um Açoriano que no decorrer da sua vida construiu uma carreira multifacetada. Pautando sempre a sua vida pela maior seriedade e honestidade o Prof. Ávila Martins, homem de princípios dotado de uma personalidade notável constitui um exemplo a recordar e a seguir.

Destacou-se no campo da geologia e como professor e gestor universitário. Frequentou os liceus da Horta e Angra do Heroísmo. Mais tarde, rumou para Coimbra, onde, em 1943 e 1945 obteve as licenciaturas em Farmácia e Ciências Geológicas. Após terminar a licenciatura em Ciências Geológicas, lecionou no ensino secundário durante quatro anos. Foi convidado para assistente da secção de Ciências Geológicas da Faculdade de Ciências de Coimbra, posição de que veio a desistir por ter sido nomeado para o lugar de geólogo dos Serviços de Geologia e Minas de Angola.

Em Angola dirigiu e participou, durante seis anos, em diversas campanhas de prospeção geológica e mineira. Contactou com geólogos profissionais de outros países, alicerçou e aumentou os seus conhecimentos, nomeadamente no domínio da Geologia Económica, domínio a que veio posteriormente a dedicar-se com entusiasmo e sempre com espírito inovador. Participou na campanha de prospeção de petróleos, levada a efeito pela empresa norte-americana Standard Oil Co. (ESSO), durante a qual se procedeu ao levantamento geológico que cobriu a totalidade das formações mesocenozóicas do litoral de Angola. Fez parte das brigadas da empresa norte-americana E. J. Longyear Co., contratada pelo governo português para proceder a trabalhos de prospeção mineira nas áreas de Curoca, de Malange e do Alto Zambeze.

Ao regressar a Portugal, ingressou nos quadros da Junta de Energia Nuclear. Durante oito anos realizou trabalho de campo, chefiando uma brigada de geologia que efetivou levantamentos geológicos nas áreas de Sabugal, Guarda, Celorico, Fornos de Algodres, Mangualde, Viseu, Tondela, Tábua, Sever do Vouga, Oliveira do Hospital, Arganil, Caramulo, Oliveira de Frades e Gerês, cobrindo um total de 15 folhas do mapa à escala 1/25 000, equivalentes à área de 940 km2. Elaborou os correspondentes mapas geológicos e de prospeção e respetivas notas explicativas.

Em 1960, ingressou na Junta de Investigações do Ultramar e durante três anos foi o responsável pela cartografia geológica do Estado da Índia. De regresso a Portugal, depois de alguns meses retido na Índia devido à invasão do território, José Ávila Martins apresentou as provas de doutoramento em Ciências Geológicas na Universidade de Lisboa.

Iniciou a sua carreira Universitária em 1963 ao ser contratado como 1º assistente além do quadro da Faculdade de Ciências de Lisboa. Uma carreira universitária que surgiu na sequência de uma carreira profissional ativa e notável de 13 anos. Este trajeto é essencial quando se pretende um Professor, em áreas científicas aplicadas, que forme e eduque alunos para serem bons profissionais. Como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, de junho de 1963 a julho de 1964, o Prof. Ávila Martins efetuou um estágio de pós-doutoramento na Universidade de Oslo (Noruega), aí tendo casado, e desenvolvido um estudo geológico-estrutural da área de Vadral na região de Telemark. Dos resultados obtidos publicou um artigo no boletim dos Serviços Geológicos da Noruega (Martins, 1969). Este estágio, além de lhe ter permitido o contacto com uma geologia mais evoluída, foi marcante na sua carreira e na sua maneira de estar como homem solidário e democrata. O Prof. Ávila Martins foi um geólogo de campo que sempre soube incutir grande valor à componente prática da Geologia. Para tal valeu a sua grande experiência e contacto com a geologia e com geólogos de diferentes continentes. Foi sempre um praticante de uma Geologia arejada, por isso, sem o bafio dos gabinetes.

Como Professor dominou o mais vasto campo da Geologia, a Geologia Geral. Sabia do que falava e foi sempre sua preocupação transmitir aos alunos o saber prático que aprendeu praticando.

Foi nomeado, em 1974, colaborador oficial dos Serviços Geológicos de Portugal (SGP) pois a cartografia geológica e o trabalho de campo sempre lhe mereceram a maior atenção. Como geólogo de campo soube transmitir a muitos dos seus alunos o gosto pela Geologia de campo e Geologia prática. Naturalista convicto era duro no campo e para ele não havia horas de refeição e de descanso antes da missão cumprida.

No fim da década de sessenta viveram-se tempos de revolução nas Ciências da Terra pois, com o advento da “Teoria da tectónica em placas”, passou a haver uma visão não fixista da Geologia, visão que havia sido iniciada com a “Teoria dos geossinclinais”. O Prof. Ávila Martins tinha a virtude de estar sempre atento ao que se passava no mundo da Geologia, qualidade que lhe conferia o epíteto de Professor atualizado levando-o a alertar os seus alunos para a mudança de conceitos.

Como gestor universitário o Prof. Ávila Martins sempre deu provas de grande serenidade, equilíbrio e tolerância. Na Universidade do Porto, onde infelizmente só acabou por estar doze anos, dirigiu, em 1975, a FCUP e o Museu e Laboratório Mineralógico e Geológico sabendo, então, enfrentar, com sucesso, o difícil período pós-revolucionário. Em 1976, com a criação do Instituto Universitário dos Açores (IUA), partiu para os Açores, a convite da respetiva Comissão Instaladora. Inicialmente esteve na Horta e depois transitou para Ponta Delgada onde passou a integrar a Comissão Instaladora, presidiu ao primeiro Conselho Científico do TUA e criou o Departamento de Geociências.

Em 1983, o Reitor da Universidade dos Açores nomeou-o Vice-Reitor e Diretor do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) (Pólo Universitário da Horta) tendo desempenhado ambos os cargos até à data da sua jubilação, em agosto de 1987. No DOP o Prof. Ávila Martins providenciou pela contratação de jovens investigadores, pela colaboração com instituições nacionais e estrangeiras, pela aquisição de novos equipamentos e pela organização de reuniões internacionais, factos que deram ao DOP uma visibilidade internacional. A Zona Económica Exclusiva açoriana, em período decisivo, teve nele um grande defensor (Martins, 1984 e 1987, Martins & Santos, 1991).

Apesar da sobrecarga administrativa o Prof. Ávila Martins continuou a sua missão pelas Geociências tendo participado em diversas ações no âmbito da Vulcanologia e da Oceanografia Vulcanológica colaborando, em 1980, na organização do “International symposium on the activity of oceanis volcanoes” (Martins, 1982).

O Prof. Ávila Martins mostrou-se, como sempre, aberto à cooperação com outras Instituições e ao apoio a geólogos mais jovens, tenha-se em vista a realização de estudos sobre a geologia da Ilha das Flores (Azevedo et al. 1986 e 1991). O Professor continuou a manter um espírito aberto e uma maneira de estar na vida muito avançada relativamente ao habitual no nosso País.

Geólogo, Professor e Investigador notável e honesto, o Prof. Doutor José Ávila Martins, homem de princípios dotado de forte personalidade, constitui um exemplo a recordar e a seguir. José Ávila Martins faleceu no dia 15 de janeiro 1996. De entre inúmeros exemplos, alguns deles já anteriormente referidos, destaque-se a nível local da ilha do Pico, a coleção de mineralogia oferecida à EBS das Lajes do Pico, e os esforços envidados pela sua viúva, de nacionalidade norueguesa, para a recuperação do órgão de tubos existente na Igreja Paroquial da sua freguesia natal, São João.

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